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O campeão de duplas do Brasil Open: Bruno Soares

Bruno SoaresBruno Soares (Foto: Divulgação)

Com a fala mansa, o sotaque acolhedor e o típico “jeitim” mineiro, ele chamava a atenção pelos corredores do Ginásio do Ibirapuera.

Sempre com um sorriso no rosto e carisma de sobra! Não é à toa que Bruno Soares vem conquistando, cada vez mais, o coração dos torcedores.

Com doze títulos na carreira e recordista brasileiro de trofeus conquistados nas duplas, Bruno Soares contou sua história e revelou seu gosto pela moda ao Tennis Report!

 Bruno SoaresBruno Soares (Foto: Ariana Brunello)

Como o tênis surgiu em sua vida?
Bruno – Eu tinha 5 anos e morava no Iraque por conta do trabalho do meu pai. Ele e minha mãe jogavam com os amigos no clube durante os finais de semana e eu comecei a jogar com raquetinha no paredão, batendo uma bolinha. Peguei um gosto pelo esporte muito rápido. Pedi aos meus pais pra fazer aulas na escolinha e, desde então, nunca mais parei.

Qual foi o seu primeiro torneio?
Bruno – Um campeonato mineiro, aos nove anos de idade. Eu já tinha voltado pro Brasil e morava em Belo Horizonte.

E o primeiro torneio que te marcou, aquele que você considera inesquecível?
Bruno – Foi quando ganhei um título, aos 16 anos, no circuito sulamericano, o COSAT. Venci a primeira etapa no Equador. Lembro que fui com 15 anos pela primeira vez e só tomei porrada pra tudo quanto é lado. Voltei pra casa e pensei: “não é possível, preciso melhorar pra encarar esses caras!”. Ralei, ralei, ralei. Me dediquei demais. Voltei no ano seguinte e conquistei duas etapas. Mas, a primeira no Equador, foi quando provei pra mim mesmo que valeu a pena toda a ralação.

Como você descobriu que o seu lance era jogar duplas?
Bruno – Joguei simples até 2005, priorizava e fazia toda minha programação baseada nisso. Mas jogava duplas também porque sempre gostei muito. Inclusive na minha carreira juvenil tive grandes resultados nas duplas. Quando tive a lesão no joelho fiquei dois anos sem jogar e, quando voltei, parei pra pensar e replanejar minha carreira. Achei que poderia ser um bom duplista e penso que foi a decisão certa.

Quais as principais diferenças entre um jogo de simples e um de duplas?
Bruno – O jogo de simples hoje é muito físico, o jogador tem que ser muito rápido, correr de um lado pro outro, aguentar muita troca de bola no fundo da quadra por isso a partida está mais lenta, demora-se muito pra terminar um ponto. As bolas e as quadras também estão mais lentas, o que torna o jogo mais difícil. Minha virtude sempre foi terminar o ponto rápido e, desde pequeno, tive uma boa noção de duplas. Aí tudo se encaixou!

Conta um pouquinho pra gente sobre sua última e fantástica temporada.
Bruno – Realmente foi uma temporada fantástica! A começar pelo título do US Open. Uma sensação inexplicável, a realização de um sonho que existe desde quando você é pequeno. A primeira coisa que se aprende no mundo do tênis é o que é um Grand Slam: você vê Roland Garros, Wimbledon, US Open, Australian Open. E a sua visão é: “um dia vou estar ali”! Mas, até se conquistar isso, é uma imensidão. E quando esse momento chega, passa um filme pela sua cabeça. É inesquecível! E depois, no fim do ano, saí pra uma viagem de seis torneios e voltei com quatro títulos. Acho que tudo foi reflexo do US Open e do momento que estou vivendo. Infelizmente o ano acabou e eu pensei: “Poxa, precisava acabar logo agora? Não dava pra esticar?”. (rs)

E o ano também já começou muito bem com mais títulos e, principalmente, uma vitória histórica em cima dos irmãos Bob e Mike Bryan na Copa Davis.
Bruno – Sem dúvida! Copa Davis é muito especial. Eu e o Marcelo Mello somos amigos desde os 7 anos de idade, a gente cresceu juntos e iniciamos todas as fases, iniciante e juvenil, juntos. E, hoje, poder representar o Brasil na Davis, que também é um grande sonho, ao lado dele, é fantástico! E essa vitória sobre os Bryan reflete muito esse momento, essa energia. É difícil comparar com o título do US Open, mas como jogo, esse foi o mais importante.

Copa DavisCopa Davis (Foto: Arquivo Pessoal)

A moda sempre fez parte da cultura do tênis. Você acha importante ter um visual bacana dentro das quadras?
Bruno – Acho fundamental. Um tenista quando vai jogar está indo trabalhar, então é muito importante estar bem vestido. A roupa tem que estar combinando, ter as cores da moda, verão, inverno, um corte bacana, não pode estar relaxado ou amassado. E não só o atleta. O treinador e as pessoas da equipe também devem ter essa preocupação. O esporte tem tudo a ver com a moda! A moda lança as tendências e o esporte tem que segui-las. Acho que, hoje, as marcas esportivas fazem um ótimo trabalho É muito bacana o jogador entrar em quadra e alguém dizer: “Que belo uniforme”!

O conforto também é fundamental na hora de jogar. O que você gosta de usar durante uma partida?
Bruno – É essencial. Hoje em dia as empresas têm acesso aos melhores materiais, tecidos, cortes, tecnologia. Então é fácil adaptar as tendências ao conforto. O atleta precisa de roupas de alta performance, o que não significa que a roupa deve ser feia. Por exemplo um elástico que, quando você desliza, não prende sua perna, a camisa dry-fit que, quando você sua, não fica pesada. Eu gosto muito de cores vivas, principalmente no verão. No US Open joguei com um tênis “coloridão”! Prefiro usar camiseta e bermuda com cortes mais certos, não apertadinhas, mas que se encaixem bem ao corpo, não gosto muito daquelas coisas muito “sambadas”, não! (rs)

Como está sendo a parceria com a Solfire, marca de uniformes que atualmente te veste?
Bruno – É uma marca muito bacana, que faz coisas diferentes, ligadas à arte, o que eu acho muito legal. O dono da marca, Brendan Murphy, é um artista plástico, pinta quadros e tem uma galeria em Nova York. As coleções dele são inspiradas nos quadros dele. Na partida da semi-final do Brasil Open, comecei jogando com uma camiseta que tem um cavalo, depois usei uma com a estampa de um leão. Eles são meio doidos, têm umas inspirações além da compreensão de uma pessoa normal (Rs). Eu acho legal porque é diferente, passa uma energia boa. É uma marca feliz!

Quem são os mais bem vestidos do circuito e quem deixa a desejar?
Bruno – Gosto muito da linha da Nike, é uma marca que faz um grande trabalho. Principalmente os uniformes do Federer que são mais clássicos e mais elegantes. O Nadal agora está com um perfil mais clássico, também gosto bastante. Quando começou, tinha um estilo mais garotão, camiseta cavada, bermudão, que não me agradavam tanto. Quem raramente acerta é a Alea, marca que veste o Stepanek, e faz umas coisas chocantes, tem Estátua da Liberdade, uns “trem” colorido, uns negócios muito esquisitos. Não me agradam essas doideras! (rs). E acho Sergio Tacchini bem sem graça.

Meio “pijamão do vovô”?
Bruno – Exatamente! Pijamão do vovô! (rs)

E as meninas da WTA?
Bruno – Acho que quem sempre acerta são a Wozniacki e a Kirilenko.

Que são vestidas pela Adidas by Stella Mccartney.
Bruno – Exatamente! Elas têm essa vantagem de ter uma estilista desenhando roupas exclusivas pra elas. Azarenka às vezes acerta, outras não. Ela faz aquele estilo mais menininha, de shortinho. Na Austrália, ela faz um estilo mais surfistinha. Sharapova já é mais elegante, acho legal que ela está mais velha e perdeu aquele ar mais adolescente de quando ela começou, muito bacana as roupas dela hoje.

Pra terminar, como você avalia seu desempenho e do parceiro Alexander Peya no Brasil Open?
Bruno – Muito bom! Tivemos bons jogos. A semi foi uma partida mais complicada, mais por mérito dos adversários que jogaram super bem. Estou muito feliz com o título, o mais legal é que é um tricampeonato: 2011, 2012 e 2013. Foi uma semana muito especial. É sempre bom demais jogar no Brasil! Valeu, galera!

Bruno Soares e Alexander PeyaAlexander Peya e Bruno Soares (Foto: Arquivo Pessoal)

Parabéns por mais um título, Bruno! Conte sempre com a nossa torcida!

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