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“A divina” Suzanne Lenglen

 suzanne wimbledonSuzanne Lenglen - Wimbledon

Bem antes de Martina Hingis, Gabriela Sabatini e Maria Sharapova encantarem o público, dentro e fora das quadras, o mundo do tênis já tinha uma grande estrela. Não só pela leveza e agilidade com que jogava, mas também por vencer preconceitos numa época em que o esporte era território exclusivo do público masculino.

Suzanne Lenglen sofria de asma e encontrou no tênis uma maneira de melhorar o problema de saúde. Ganhou a primeira raquete aos 11 anos de idade e começou a jogar na quadra de saibro construída no quintal de casa, no interior da França. Vendo o talento da filha, o pai logo virou seu treinador e a levou para o Tênis Clube de Nice.

O sucesso veio rápido: com apenas 15 anos, Suzanne chegou à final de Roland Garros, mas perdeu para Marguerite Broquedis. As primeiras vitórias aconteceram nos campeonatos mundiais de saibro em Saint-Cloud.

Suzanne-LenglenSuzanne Lenglen, uma estrela em ascenção

Após a Primeira Guerra Mundial, a nova estrela francesa não parou mais de brilhar. Entre 1914 e 1926, Suzanne ganhou 31 títulos de Grand Slam, entre simples e duplas: 16 em Roland Garros e 15 em Wimbledon. Venceu 241 torneios e se tornou a tenista número 1 do mundo por seis anos consecutivos, logo que surgiu a classificação por ranking.

Pra completar a carreira de sucesso, Suzanne ganhou uma medalha de ouro em simples, outra de ouro em duplas mistas e mais uma de bronze nas duplas, durante os Jogos Olímpicos de 1920 na Antuérpia.

lenglen lacosteDuplas mistas: Suzanne Lenglen e René Lacoste

Com um saque poderoso e uma tática apurada, a tenista francesa conseguia prever a reação das adversárias e assim levar grande vantagem dentro das quadras. Mas ela não era conhecida somente pelo talento. “La Divine” (A Divina), como era chamada pela imprensa na época, revolucionou o mundo da moda.

Em plena década de 20, Suzanne foi a primeira tenista a usar saias mais curtas para facilitar a movimentação durante a partida e, assim, tornou-se a musa de Jean Patou, renomado estilista francês e especialista em coleções esportivas.

Entre suas peças mais famosas e que marcaram a história do tênis, estão as saias de seda na altura dos joelhos e as faixas de tule, criadas especialmente para Suzanne. Em pouco tempo, havia mais livros sobre moda feminina “on court” do que registros sobre suas grandes conquistas no esporte.

suzanne lenglen1Suzanne Lenglen lança moda ao disputar a final de Wimbledon, em 1925, de faixa na cabeça.

suzanne Jean Patou -tenue portee par Suzanne Lenglen - 1926-15b2d-a7543Uma das criações de Jean Patou para Suzanne Lenglen

DSCN0470Luvas e casaco de plumas usados por Suzanne Lenglen em exposição no International Tennis Hall of Fame

suzanne autografo img087Autógrafo de Suzanne Lenglen na Selfridges, famosa loja de departamentos em Londres

Independente como poucas mulheres de sua época, Suzanne bebia, se relacionava com vários jogadores de tênis e - dizem as más línguas – não usava nada por baixo da saia comprida do uniforme. Atitudes que estavam em sintonia com seu jogo revolucionário nas quadras.

Após a brilhante carreira como jogadora profissional, “La Divine” ainda trabalhou numa loja de roupas esportivas e então abriu sua própria escola de tênis. Tão meteórico quanto o sucesso foram seus últimos dias de vida. Em 1938, Suzanne foi diagnosticada com leucemia, ficou cega e faleceu pouco tempo depois.

A primeira estrela do tênis feminino entrou para o International Tennis Hall of Fame em 1978 e a segunda principal quadra do complexo de Roland Garros recebeu, como homenagem, o nome de Suzanne Lenglen.

lenglen courtQuadra Suzanne Lenglen em Roland Garros

Sua fama se espalhou pelo mundo e a transformou num mito do esporte. Seu estilo de jogo foi imortalizado e até hoje seus movimentos são conhecidos como passos de ballet. Sem dúvida, uma das maiores artistas da história do tênis, dentro e fora das quadras.

DSCN0472Não resisti: tirei uma foto com a estátua de Suzanne Lenglen no Museu da Fama!

 Confira, neste vídeo, um pouco do estilo de Suzanne Lenglen numa partida contra Helen Wills:

 

Fotos: Getty Images e Tennis Report

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