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3, 2, 1 ... no ar!

DSCN5510Cabine de transmissão do SporTV no Rio Open

Você liga a TV e lá estão as imagens da quadra, do público e dos jogadores. A voz inconfudível do narrador e a informação precisa do comentarista também. Tudo pronto para mais um dia de transmissão. Parece fácil, não é? Mas por trás das câmeras a realidade é outra. Um verdadeiro batalhão trabalha pesado para que os telespectadores não percam nenhum lance da partida.

A maioria dos torneios que assistimos pela TV no Brasil são internacionais e os canais locais recebem o sinal para a retransmissão. Mas quando o evento é aqui, o trabalho é diferente. No Rio Open, os direitos autorais são da ATP Media, mas as imagens são feitas e geradas pelo SporTV, canal oficial do torneio pelos próximos cinco anos. A equipe saiu da emissora e se instalou no Jóquei Club Brasileiro, onde mantém um contato real com os jogadores, o público e a mídia.

São 98 pessoas responsáveis pela engenharia e 36 envolvidas com jornalismo e eventos que, há seis meses trabalham no planejamento da transmissão, gerada a 105 países. A possibilidade de sair da cabine e interagir com a torcida dá um outro colorido ao evento e à transmissão, além de garantir uma infinidade de opções e um material com mais qualidade jornalística. O Tennis Report acompanhou de perto o trabalho de transmissão do Rio Open e conta os detalhes pra você, leitor e telespectador, que sempre quis saber um pouco mais sobre o outro lado da telinha.

DSCN5489Unidade móvel HD

O trabalho teve início há seis meses, com diversas reuniões entre a equipe Globosat e a equipe da ATP em Londres. O desenvolvimento do projeto incluiu posicionamento de câmeras, quadras utilizadas e videografismo. Operações que envolvem supervisores de engenharia, diretores de TV, técnicos e cinegrafistas. A montagem dos equipamentos começou uma semana antes do torneio. São dezesseis câmeras (dez na quadra central e 6 na quadra 1), duas câmeras de super slow motion, uma torre de cam-mate com uma grua de 8 metros que faz uma rotação de 180 graus da Pedra da Gávea, Lagoa Rodrigo de Freitas, passando pelo Jóquei até chegar na quadra central. O videografismo é feito pelas equipes da ATP Media e da WTA.

Uma unidade móvel HD comanda todas as câmeras da quadra central. Pra quadra 1 foi feito um sistema interligado em rede com um outro container, ao lado da unidade móvel principal. São equipes distintas que cortam as imagens simultaneamente. Os dois sinais são encaminhados para a ATP, que escolhe as imagens enviadas ao satélite que retransmite às emissoras internacionais. “Temos uma equipe grande, mas não o suficiente. Por incrível que pareça falta mais gente pois são muitos dias, muitos jogos e muitos detalhes. Um trabalho bastante cansativo, mas extremamente prazeroso. Hoje a gente vê o resultado de tanta dedicação e como tudo está dando certo. Mas, ano que vem vamos fazer uma transmissão ainda melhor”, diz Djalma Ávila de Lima, produtor executivo, responsável por comandar a equipe inteira.

 DSCN5481Switcher na unidade móvel HD

Cláudio Uchôa sempre quis trabalhar na área de jornalismo esportivo. Já foi âncora dos programas "Sportvnews" e "Redação Sportv", já foi narrador de futebol, vôlei, automobilismo e UFC. Com a proposta do canal de intensificar as transmissões de tênis, Eusébio Resende precisava de um parceiro e Cláudio foi o escolhido. “Comecei aos pouquinhos. Narração é uma grande escola. Você desenvolve o jogo de cintura, o improviso e a flexibilidade”Há 4 anos como narrador dos torneios de tênis, ele diz que o segredo é respeitar o espírito do esporte, de uma forma mais respeitosa, com tradição. É primeiro ver o que acontece e só então se manifestar, passar as informações no momento certo pois como os jogos geralmente são longos é preciso ter cuidado para não cansar o telespectador.

Um trabalho que começa cedo e exige muita preparação. “Chegamos no máximo uma hora antes do início da transmissão. No Rio Open eu abro os jogos às 10h da manhã todos os dias. Quando chego em casa também ligo no SporTV, faço um resumão, pesquiso nos sites e blogs especializados pra chegar já informado na próxima narração”. 

Essencial em qualquer evento é o trabalho de produção. Além de pautar, coordenar o narrador e espelhar o que vai pro ar na transmissão, Ricardo Bernardes percorre o torneio para produzir reportagens, entrevistas e muitas gravações externas. Uma delas foi o treino de Rafael Nadal com André Sá, onde a equipe conversou com o brasileiro, mostrou a reação do público e captou imagens para arquivo. Gravações feitas, hora de correr pro caminhão, onde o material fica disponível para abastecer de imagens e informações a transmissão.

Outra função de Ricardo é pautar e orientar os narradores: hora de ir pra cabine, de chamar uma entrevista, o intervalo ou de ver os melhores lances do dia. “Poderíamos fazer uma transmissão apenas mostrando os jogos pois somos a emissora oficial do evento e geramos as imagens pro mundo inteiro, o que por si só já é um bom trabalho. Mas é aí que vem o diferencial, de mostrar os bastidores do evento, ir ali, gravar e em 20 minutos já estar no ar. A importância de se ter um produtor é essa: ganhar qualidade na transmissão e ter infinitas opções para fazer o trabalho da melhor maneira possível”.

 DSCN5503Eusebio e Maria Esther Bueno em ação

DSCN5497Cabine de transmissão na quadra central

Dezessete anos de experiência em transmissões não é para qualquer um. Eusebio Resende começou a trabalhar na emissora em abril de 1997. Um ano depois narrou seu primeiro torneio de tênis: o Aberto da Comunidade Europeia, que era realizado na Antuérpia e nem existe mais. Brasil Open, Aberto de São Paulo, Brasil Tennis Cup, US Open, Masters Cup em Sidney, Copa Davis em Jacksonville e agora o Rio Open são apenas alguns dos torneios no currículo.

Mesmo com tanta experiência, Eusebio garante que não é fácil fazer a transmissão de um torneio de tênis. “É um desafio sentar ali e narrar por dez minutos sem pressão, sem preocupação e se divertindo, que é o mais importante. Com diretor no seu ouvido, retorno do ar, barulho das pessoas na cabine, comentarista agitado e sem errar. E nem tudo sou eu que resolvo. Sou apenas um jornalista na função de narrador”.

Para ele o segredo de uma boa transmissão é ter atenção total naquilo que se está fazendo e contar com quem está por trás do esquema de transmissão. “Ninguém faz nada sozinho. Se você não tiver uma equipe por trás nada acontece. Você é só a última voz. Antes de você há várias pessoas que organizam e pensam na estratégia de transmissão. A equipe é 100% do trabalho”.

Enquanto o Tennis Report acompanhava o trabalho de transmissão do SporTV, Eusebio Resende e Maria Esther Bueno receberam Teliana Pereira na cabine do canal na quadra central. Confira o vídeo:

Agradecimentos: SporTV, ATP Media e Rio Open
Fotos: Ariana Brunello

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